Sorteios da Caixa são confiáveis? Veja como é o processo de auditoria


12/04/2016 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Se não fosse por um auditor popular, o rateio do concurso 1.800 da Mega-Sena poderia ter demorado alguns minutos a mais para ser confirmado. Isso porque o locutor da Caixa Loterias –promotora da modalidade lotérica–, depois de ter mencionado as 15 bolas sorteadas na Lotofácil, as cinco na Quina, e as 20 na Lotomania, esqueceu de citar a primeira das seis dezenas da Mega-Sena.

“Na hora em que o rapaz da Caixa estava fazendo a confirmação, ele acabou pulando um número. Ele tinha falado número 56, só que esqueceu do 31, que veio antes. Aí eu logo levantei a mão”, diz Vlademir Antunes, 33, que foi escolhido, entre os espectadores, como auditor popular voluntário no sorteio de 16 de março.

Em função da desconfiança que alguns apostadores têm sobre a lisura dos concursos da Caixa, o UOL acompanhou como é o processo feito para a realização dos sorteios. O local foi o Espaço Caixa Loterias, instalado, desde dezembro de 2015, no Terminal Rodoviário do Tietê, na zona norte de São Paulo. Mas os sorteios também podem ser realizados no “Caminhão da Sorte”, que é itinerante.

Desconfiança

Uma das principais suspeitas de alguns apostadores recai sobre as bolas usadas no sorteios, que teriam pesos diferentes. Para o gerente nacional de apoio a produtos lotéricos da Caixa, Carlos Leite, essa é uma demonstração da “criatividade” dos brasileiros. “A Caixa é uma empresa conservadora, legalista. As bolinhas são mensuradas, são pesadas, são medidas pelo Inmetro [Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia] a cada três meses. Então, assim, não há como você fazer nada de errado no sorteio”.

A última vez que as bolas foram medidas pelo Inmetro foi em 21 de março. Após essa verificação, elas ficam dentro de maletas lacradas, que só são abertas momentos antes dos sorteios, na presença do público e dos auditores populares, que checam a numeração dos lacres.

Imediatamente depois desse procedimento, as bolas são colocadas nos globos dos sorteios. Após saírem do equipamento, elas são recoladas nas maletas também na presença do público e com a checagem dos auditores. 

Na sequência, as maletas, já lacradas, são colocadas em um ambiente protegido da Caixa acessível apenas por meio de senha.

Além dos auditores populares e de auditores do Ministério da Fazenda (que não acompanham todos os concursos no local), há uma equipe na sede da Caixa, em Brasília, que, durante e após o sorteio, confere, por meio de vídeo e contato telefônico, todos os movimentos no local. Apenas depois que o processo de auditoria termina na capital federal, o resultado é oficializado no site da Caixa Loterias.

Em nota, o Ministério da Fazenda diz que a fiscalização dos sorteios da Caixa “é realizada regularmente e acontece em todos as etapas, desde a arrecadação até o pagamento do prêmio”. A pasta informa que seus próprios auditores não estão presentes no local em todos os sorteios por causa da “intensa frequência” com que são realizados, o que “impõe a racionalização do uso dos recursos humanos disponíveis”. A preferência é pela presença física em sorteios de “valores consideráveis”.

Matéria de Nathan Lopes e Marcela Sevilla – UOL

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