Projeto quer liberar cassinos em arenas; Allianz não quer, Corinthians aprova


07/07/2016 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Os estádios brasileiros podem ganhar uma alternativa para gerar mais receitas, segundo projeto de lei da Câmara dos Deputados. A Comissão Especial do Marco Regulatório dos Jogos apresentará proposta de legalização de jogos de azar no país. Entre os pontos está a liberação de casas de bingos e cassinos em arenas com capacidade superior a 15 mil lugares.

Se aprovada, a medida ajudaria estádios que têm dificuldades para se sustentarem, casos do Mané Garrincha, em Brasília, da Arena das Dunas, em Natal, da Arena Pantanal, em Cuiabá, e Arena da Amazônia, em Manaus, para citar alguns locais que receberam jogos da Copa do Mundo.

O estádio brasiliense tem custo mensal de R$ 700 mil mensais, segundo matéria recente da “Folha de S.Paulo”. Os jogos locais dão públicos pequenos (a taxa média de ocupação é 20%) e a arena acaba recorrendo a times de São Paulo e Rio.

A Arena das Dunas também recebe poucos jogos e têm públicos pequenos. Assim, acaba abrindo espaço para shows, eventos empresariais, feiras temáticas etc.

A partida entre Flamengo e Fluminense, no último domingo, pelo Campeonato Brasileiro, registrou recorde de renda: R$ 2.214.850 (sendo R$ 1.666777,59 líquidos).

“A Arena das Dunas avaliaria a viabilidade econômica de instalar, não só um bingo, mas qualquer outra forma de entretenimento que desperte interesse do público”, disse Italo Mitre, gerente jurídico e de relações institucionais da Arena das Dunas.

“Em dias de jogos e eventos, além da bilheteria, há a exploração das receitas originadas pela operação dos bares e lanchonetes, operação de estacionamento, além de todas as propriedades de marketing e patrocínio, veiculação de conteúdo nos telões e televisões internas (digital signage), ações promocionais dos parceiros interessados e ativação de marcas no interno e externo da arena”, completou.

Estádios que dão renda

Se a lei for aprovada, ela também poderia ser adotada por arenas particulares, como as de Corinthians e Palmeiras – locais que se sustentam com bons públicos. Emerson Piovesan, diretor financeiro corintiano, é a favor.

“Hoje temos uma arena que tem uma boa diversificação de uso extracampo. Já recebe eventos e gera receita com eles. Mas, ao mesmo tempo, acredito que tudo que possa trazer mais recursos é interessante”, disse o cartola para a ESPN.

Segundo Piovesan, a Arena Corinthians tem conseguido se manter sustentável somente com as receitas com bilheteria. Mas vale lembrar que tudo que é arrecadado pelo clube nas partidas é utilizado para pagar o custo de construção.

“Temos receitas complementares, alugando espaços dentro do estádio para eventos corporativos e empresariais, o que nos ajuda. Por isso vemos a opção dos bingos, se for algo legal e lícito, como algo positivo”, completou.

O arquirrival pensa diferente. O Allianz Parque, inaugurado no final de 2014, é administrado pela WTorre e a decisão de aderir ou não dependeria exclusivamente da empresa. Mas não é um caminho desejado pela construtora neste momento.

“A realização de negócios como os previstos no PL 442/1991 não está, atualmente, entre os objetivos da administração do Allianz Parque. Mesmo com a tramitação do projeto de lei na Câmara dos Deputados, a possibilidade de atrair este tipo de atividade para a arena não foi analisada em nenhum momento”, explicou à reportagem Heraldo Evans, diretor comercial da WTorre Entretenimento.

“Hoje, o foco do Allianz Parque são os grandes shows e eventos corporativos. Espetáculos como os de Paul McCartney, David Gilmour e Coldplay e grandes clientes, como Microsoft, Puma e Heineken, têm ajudado a arena a se consolidar como o mais moderno equipamento multiuso da América Latina e a pagar o investimento de mais de 670 milhões de reais feito pela WTorre”, completou. (Com informações da ESPN – Valente, de São Paulo – SP)

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