EBC produz reportagem especial sobre ludopatia


21/08/2016 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



A Empresa Brasil de Comunicação – EBC, empresa pública de comunicação vinculada ao governo federal, adotou um tom crítico com relação a legalização dos jogos.

Nesta terça-feira (16) o Portal veiculou extensa reportagem sobre ludopatia ou jogo compulsivo (Confira aqui), através de entrevistas com Hermano Tavares, psiquiatra e professor do departamento de psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), com um funcionário de bingos em Águas Lindas (GO) e com a jogadora patológica, Anna Riccitelli.

Hermano Tavares, que é uma das principais fontes quando o assunto é patologia, não critica a legalização dos jogos pelo governo, mas destaca que o aumento da oferta de jogo gera um crescimento na ludopatia.

“Em 2004, quando os bingos foram proibidos, os pacientes não desapareceram, mas a demanda diminuiu bastante. Teve um momento que os bingos voltaram, a demanda aumentou de novo, depois foram definitivamente proibidos e a demanda se estabilizou. Com todas as idas e vindas na legislação, hoje a demanda está mais ou menos estabilizada. Já quando os jogos operam de forma clandestina, a demanda cai pra um terço.”, comentou.

Segundo Tavares, o problema relacionado ao jogo atinge diretamente cerca de 2,3% da população brasileira. O especialista aponta que 1% desses já tiveram um episódio de jogo compulsivo na vida e 1,3% são considerados jogadores problemáticos. Creio que existe um equívoco nesta informação, pois em países que têm uma oferta maior de jogos de azar, como o Reino Unido e Argentina, os índices de ludopatia não ultrapassam este percentual.

Estudos britânicos

A informação do psiquiatra vai de encontro com as últimas estatísticas disponíveis sobre o tema no Reino Unido, que indicam que entre 0,5 e 0,6% da população adulta são jogadores patológicos, enquanto 1,4% dos jogadores britânicos estão em situação de risco moderado.

Estudo argentino

Segundo estudo divulgado esta semana pela Universidad Torcuato Di Tella com apoio da Cámara Argentina de Salas de Casino, Bingo y Anexos (CASCBA), o jogo patológico em Buenos Aires e arredores atinge de 0,83% a 1,18% desta população. Este índice pode ser considerado de moderado a baixo em relação aos índices aferidos em outros países. A pesquisa também identificou que quase 66% dos entrevistados nunca jogaram e apenas 1,1% jogam mais de cinco horas por semana.

Crítica pela falta de estatística

Uma das afirmações do Hermano Tavares é direcionada ao editor do BNL, pois com frequência defendemos que legalização dos jogos poderá proporcionar a produção de dados estatísticos próximos da realidade. Segundo o psiquiatra é importante que se destine parte dos recursos para o tratamento dos patológicos.

“O lado bom é que finalmente quando se discute a legalização do jogo no país não se faz mais a discussão pautada exclusivamente na questão financeira de arrecadação e de estímulo à atividade econômica. 

Acho interessante quando se fala assim. Mas é importante dizer qual porcentagem da arrecadação será guardada para investir em campanha de orientação para familiares e pessoas em risco; para campanhas de prevenção, de rastreio e detecção de pessoas com dificuldades que estejam indo a esses lugares e estejam começando a ter dívidas e prejuízos; além treinamento do profissional de saúde, sobretudo da rede pública, para que saiba identificar e acolher essas pessoas com dificuldade e tratá-las.

Não vai ser barato montar uma estrutura dessas, mas ela vai ser imprescindível quando se pretende avançar nessa discussão da legislação. O único argumento que eu acho pouco aceitável é dizer que, assim, teremos estatística. Desculpa, mas estatística a gente já tem.”

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