Manutenção da legalização na mídia


11/01/2017 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Um dos desafios dos defensores da legalização dos jogos é manter o tema na mídia até o dia 2 de fevereiro, quando serão retomadas as atividades do Congresso Nacional. Tem sido feito um grande esforço para que os grandes veículos e a mídia segmentada abordem o assunto de forma isenta.

Folha Universal

Mesmo com todo esforço e vigilância, algumas reportagens acabam sendo tendenciosas, principalmente por questões religiosas. Este foi o caso da reportagem ‘Jogos de azar: uma aposta furada’ (veja em Especial) veiculada pela Folha Universal deste fim de semana. Como todos imaginam, o jornal é da Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo, que tem forte influência no Partido Republicano Brasileiro – PRB.

Em quatro páginas e um editorial a reportagem aborda o tema sob o aspecto da patologia e apresenta dois personagens que já tiveram problemas com os jogos e foram ‘salvos’ pela Igreja.

Sob a ótica religiosa a reportagem força a barra para relacionar o enriquecimento rápido no jogo como um pecado descrito na Bíblia, mas todos sabemos que o livro sagrado não faz nenhuma menção aos jogos de azar e que esta atividade é anterior a religião, portanto não sendo pecado.  

 

A própria palavra “azar” já traz um grande alerta. Afinal de contas, tudo que depende de “sorte” e oferece enriquecimento rápido deve ser olhado no mínimo com desconfiança. A Bíblia é clara ao falar desse assunto e traz a resposta mais direta e incisiva para ajudar quem sofre com esse tipo de vício: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento. Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?” Provérbios 6:6-9.

 

Reportagem da CBN

Já a reportagem da rádio CBN pertencente ao Grupo Globo, sob o título ‘Cerca de R$ 15 bilhões devem reforçar cofres públicos se jogos de azar forem legalizados’ veiculada pela emissora neste final de semana, aborda o tema de forma isenta e também usa a patologia como principal argumento contrário.

Patologia é um tema recorrente

Peço licença para usar os argumentos sobre o tema apresentados pelo presidente da Confederação Brasileira de Texas Hold’em, Igor ‘Federal’ Trafane durante a Comissão Geral, realizada no dia 13 de dezembro no Plenário da Câmara dos Deputados.

“Outra coisa muito dita é a respeito da ludopatia, como se o jogo fosse a única atividade social capaz de gerar alguma espécie de vício. O que é vício? É uma atividade que gera uma compulsão no seu comportamento, trazendo uma mazela social, econômica, física, emocional para quem a tem. Alguns dados sobre capacidade de gerar vício: cafeína, 15%; álcool, 9%; trabalho, 8%; sexo, 5%; academia de ginástica, 6%; comida, 6%; jogo de azar, de 1,5% a 2%.

Por que as pessoas não falam os dois lados da verdade? Por que as pessoas não mostram que qualquer atividade humana de qualquer natureza gera certo índice de compulsão? E você não pode falar, numa sociedade, em proibir café, em proibir trabalho. Todo mundo curte um bom vinho com sua esposa no fim de noite ou uma cerveja com os amigos no fim de semana. Acontece que 91% fazem bom uso, e, às vezes, 9% fazem mau uso. Segundo Ayres Britto: O direito de uso não pode ser corrompido pelo mau uso.

Em suma, toda atividade humana tem uma espécie de compulsão. Este dado sobre o jogo é da American Gaming Association — do inglês, Associação Americana de Jogos —, uma das instituições mais sérias e respeitadas do mundo: somente de 1,5% a 2% das pessoas têm compulsão por jogo.

Então, de uma forma ou de outra, finalizando aquilo que tenho para dizer, estamos no século XXI, uma época de direitos civis, de liberdades individuais. O Estado brasileiro não pode dizer como as pessoas vão se divertir, como as pessoas vão gastar o seu dinheiro.

Normalmente, todas as mazelas que os Estados já fizeram na história da humanidade, ao longo da história da sociedade, do mundo, ocorreram quando um Estado tentou tomar o poder e se viu no direito de dizer que Deus uma pessoa deve adorar, que pessoa pode se relacionar com a outra, que sexo é mais poderoso que o outro, que raça tem mais direito que a outra. As maiores mazelas do mundo foram feitas desse jeito.”

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