“Há regiões que podem receber um cassino e outras que são inapropriadas”


04/04/2017 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Jogos,Novidades



Novo secretário nacional de Justiça, área de combate à lavagem de dinheiro e recuperação de ativos do Ministério da Justiça, Astério Pereira dos Santos disse em entrevista ao O Globo deste domingo (2), que não admitirá interferência em seu trabalho, mesmo se houver governistas investigados por dinheiro ilícito fora do país. Procurador de Justiça aposentado do Rio de Janeiro e secretário da área prisional no governo Rosinha, Santos abordou a legalização dos jogos e disse que o tema nos preocupa muito, “mas não podemos ficar evitando que se crie isso algo alegando que temos dificuldade de combater”. Alertou para os riscos de um “libera geral” dos cassinos no Brasil, fez críticas ao projeto de abuso de poder e disse que o governo federal deve exigir compromissos dos estados antes de repassar dinheiro para construção de presídios.

O senhor é a favor ou contra a legalização dos jogos de azar, apontados como uma forma de lavagem de dinheiro, em debate no Congresso?

Nós entendemos o problema econômico pelo qual passa o país. Eu não tenho opinião definida sobre se legaliza ou não, mas eu tenho certeza que hoje, da forma como está sendo conduzido o debate, a sociedade terá que participar e tem participado.

Mas setores que lidam com o combate à lavagem de dinheiro, como polícia e Ministério Público, fazem críticas ao projeto. O senhor já recebeu sinais de preocupação desses setores?

Logicamente, esse é um tema que nos preocupa muito, mas não podemos ficar evitando que se crie isso algo alegando que temos dificuldade de combater. Da mesma forma que criamos mecanismos para buscar esse dinheiro no exterior (nas atuais operações contra a corrupção), aperfeiçoaremos também os instrumentos para inibir o ilícito envolvendo o jogo. Posso opinar tecnicamente no que diz respeito à implantação, que deve ser com critérios. Não pode ter uma proliferação de cassinos. Há regiões que podem receber um cassino e outras que são inapropriadas. Não pode ser um libera geral, e não acredito que, diante do momento que a sociedade vive, será um libera geral.

Quais os entraves no combate à lavagem de dinheiro hoje?

O combate à lavagem de dinheiro e a organizações criminosas tem se incrementado substancialmente. No entanto, é fato que a cultura de combate a esses delitos deve ser aperfeiçoada e disseminada. Vamos remodelar o programa nacional de capacitação e treinamento, usando casos concretos de investigações reais para obtermos resultados mais eficazes. Essa operação do Tribunal de Contas do Rio ou as operações da Lava-Jato, por exemplo, serão simuladas com os atores que capacitamos, que são promotores, delegados, policiais civis, delegados federais. Os cursos da DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional) são muito teóricos hoje e passarão a ser mais práticos.

Comento: opinião contrária do O Globo

A sensata resposta do secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça, Astério Pereira dos Santos surpreendeu os repórteres Renata Mariz e Francisco Leali na entrevista concedida ao O Globo.

Os assinantes podem perceber que os jornalistas não ficaram muito satisfeitos com a primeira resposta do secretário nacional e, emendaram a segunda pergunta citando que polícia e Ministério Público fazem críticas ao projeto.

A segunda resposta do Procurador de Justiça aposentado foi ainda mais sensata e lógica a favor da legalização dos jogos no Brasil: “esse é um tema que nos preocupa muito, mas não podemos ficar evitando que se crie isso algo alegando que temos dificuldade de combater”. Bingo!

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