São Paulo recebe mostra Cinema mexicano contemporâneo


17/05/2017 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Caixa,Novidades



Um ano após a bem sucedida edição de estreia que lotou as salas da CAIXA Cultural do Rio de Janeiro, a mostra Cinema Mexicano Contemporâneo chega a São Paulo para apresentar um recorte da atual produção cinematográfica desse país. Em cartaz de 18 a 31 de maio, no CAIXA Belas Artes, a programação reúne filmes dos mais variados gêneros, além de um bate-papo com o diretor do premiado filme As Lágrimas, Pablo Delgado, na sessão de abertura. Também está programado um debate intitulado Cinema mexicano contemporâneo e aproximações com a América Latina, com participações de Daniel Maggi, Marina da Costa Campos e Natalia Christofoletti Barrenha, sob comando de Mateus Nagime, curador da mostra.

Na CAIXA Cultural São Paulo, na Praça da Sé, será ministrado um minicurso gratuito que abordará questões históricas, estéticas e políticas apresentadas em cenas dos filmes contemplados. Após passar por São Paulo, a mostra seguirá para a CAIXA Cultural Curitiba, onde ficará em cartaz de 12 a 16 de julho de 2017.

Uma das singularidades da mostra é o minucioso trabalho de seleção das obras e diretores: A ideia é exibir filmes premiados internacionalmente, mas que nunca entraram no circuito comercial brasileiro, nem na programação da Netflix, explica Nagime. O intercâmbio do Brasil com a produção cinematográfica da América Latina está mais concentrado na Argentina. Com exceção de nomes como Afonso Cuarón, Alejandro González Iñárritu e Guillermo del Toro, pouco se sabe sobre o cinema mexicano por aqui. Por estar em um bloco intermediário, dividindo as duas Américas, o país mistura sua identidade cultural com influências que vêm dos EUA e da América do Sul, criando um cinema jovem, com inspiração nas vivências de rua, e dotado de diretores supercriativos, sobretudo em início de carreira, acrescenta o curador.

O grande fio condutor da mostra está na apresentação de personagens que sofrem certo deslocamento, que passam por alguma ruptura e buscam algo a mais. Esta é uma característica comum aos documentários, dramas, romances e outros gêneros contemplados pelo evento. Nagime se mostra consciente dessa característica ao afirmar que essa é uma espécie de marca do cinema mexicano atual.

Entre os 14 longas e três curtas que serão exibidos, destacam-se as obras do premiado diretor Julián Hernándes. Os seus filmes costumam colocar em pauta a juventude, a sexualidade e a temática LGBT, o que pode ser evidenciado no curta Nuvens Flutuantes e em sua mais recente produção, Eu sou a Felicidade deste Mundo. A cineasta Dalia Reyes também chama a atenção com Banho de Vida, que mostra mulheres garis compartilhando ideias, dores e confissões em um banho público. Outra atração é As Escolhidas, de David Paulo, que foi selecionado para o Festival de Cannes em 2015. O filme apresenta o drama de uma jovem que se envolve contra a própria vontade em um sistema de prostituição e escravidão sexual.

Pode-se dizer que os documentários escolhidos para a mostra Cinema Mexicano Contemporâneo fogem do formato tradicional. Um deles é H20mx, de José Cohen e Lorenzo Hagerman, que expõe a crise hídrica na Cidade do México. Outro destaque está em A Navalhada, documentário-ficção de Ricardo Silva, premiado em Locarno.

Não apenas os diretores da nova geração fazem parte da mostra. O público também poderá conferir As Razões do Coração, de Arturo Ripstein, célebre cineasta representante da antiga geração do cinema mexicano. Seus filmes são bastante cerebrais, mas também cativam por falarem de amor e relações, explica o curador. Animações também têm espaço garantido com O Modelo de Pickman, de Páblo Ángeles Zuman, o inteligente e divertido Manhãs Psicotrópicas, de Alejandro Aldrete, entre outras obras que atestam a universalidade do cinema local.

Atividades de formação

Para ampliar o conhecimento dos espectadores sobre a importância e a riqueza do cinema mexicano, a CAIXA Cultural São Paulo realiza, em 23 e 24 de maio, o minicurso Cinema Mexicano Contemporâneo, comandado por Nagime. O curador apresenta questões históricas, estéticas e políticas, comenta alguns trechos dos filmes da mostra e cria um panorama sobre a produção cinematográfica mexicana. Interessados devem ligar para (11) 3321-4400 para garantir sua vaga (auditório / capacidade para 50 pessoas).

Outra atração é o debate Cinema mexicano contemporâneo e aproximações com a América Latina, que ocorre em 25 de maio, às 18h30, na CAIXA Belas Artes, também com mediação de Nagime. Os convidados são os pesquisadores Daniel Maggi, Marina da Costa Campos e Natalia Christofoletti Barrenha.

A mostra é uma realização do Luzes da Cidade – Grupo de Cinéfilos e Produtores Culturais, com patrocínio da CAIXA. A programação completa está disponível no site www.cinemamexicano.com.br.

Serviço

Mostra Cinema Mexicano Contemporâneo
Local: Caixa Belas Artes / Caixa Cultural São Paulo
Endereço: Rua da Consolação, 2423 [CAIXA Belas Artes] | Praça da Sé, 111 [CAIXA Cultural São Paulo]
Telefone: (11) 2894-5781 [CAIXA Belas Artes] | (11) 3321-4400
Data: 18 a 31 de maio de 2017 (quinta a quarta)
Horários: Consultar a programação em caixabelasartes.com.br
Ingressos: R$5 (meia), R$10 (inteira) e R$30 (passaporte)
Lotação: 141 pessoas
Bilheteria:  De segunda a sexta – das 13h até 20min após o início da última sessão. Sábados: 12h30 até 20min após o início da última sessão. Domingos – das 12h30 até 20min após o início da última

Classificação indicativa: Consultar programação

Programação

18 DE MAIO (Quinta-feira)

16h – Banho de Vida (Baño de Vida, 2016), de Dalia Reyes, 69 min, 16 anos
Sinopse: Uma viagem ao interior das casas de banho públicas pelas vozes de três personagens: Felipe, responsável pelos banhos desde 1984; Juana, varredora de ruas no centro da Cidade do México; e Jose, cliente assíduo há mais de quarenta anos. O filme é um estudo de personagens que habitam um mesmo espaço: a sauna.

18h30- As Lágrimas (LasLágrimas, 2013), de Pablo Delgado, 64 min, 12 anos
Sinopse: Os irmãos Gabriel e Fernando sofrem, cada um ao seu modo, as desastrosas consequências de viver em um lar fragmentado. Para fugirem, ainda que momentaneamente, dessa situação, realizam uma pequena viajem rumo a um bosque, local simbólico para ambos.
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