Jogos de azar podem ajudar os hotéis a reconquistar a demanda por lazer


27/06/2017 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Com um grande potencial para alavancar o turismo de lazer no País, a regulamentação dos jogos de azar é bem recebida entre hotéis e resorts, que já estudam entrar no segmento como uma forma de conseguir complemento de receita. As regras do mercado, contudo, precisam ficar mais claras para evitar excesso de oferta e falta de compliance.

“Temos interesse e estudamos a possibilidade em nossas duas unidades no Brasil. Não queremos perder a oportunidade, mas precisamos que as regras do jogo sejam claras”, conta o diretor geral do Tivoli Mofarrej, Miguel Garcia durante o IV Brazilian Gaming Congress que termina hoje (27) em São Paulo.

De acordo com ele, depois de legalizado é necessário que o marco regulatório traga regras que possam garantir o crescimento orgânico do setor e tratem questões como o número de cassinos por perímetro. “Tem que ser uma política cautelosa para que não aconteça o mesmo que na Barra, no Rio de Janeiro (RJ)”, explica o executivo citando o cenário hoteleiro da região que teve um boom de lançamentos para os Jogos Olímpicos 2016 e hoje está com taxas de ocupação alarmantes.

Para Garcia, outra questão que deve ser vista com cautela é a oferta de grandes empreendimentos. “Do meu ponto de vista, acho que devemos usar os primeiros anos para aprender sobre compliance, os impactos culturais e sentir a demanda antes de apostar em grandes complexos. Em Las Vegas, isso aconteceu com o tempo. Devemos ter cuidado.”

Por isso, ele alerta que é necessário ser mais realista com a expectativa de demanda, iniciando com a captação da demanda interna para posteriormente conseguir força para captar turistas internacionais. “Dissemos que há players internacionais interessados, mas se não tiverem o retorno projetado perderão o interesse para novos projetos”, conclui.

“O cassino não desenvolve o turismo, mas reforça o de um local existente”, complementa o presidente da Associação Brasileira de Resorts (ABR), Luigi Rotunno. Por isso, o executivo acredita que os locais com maior probabilidade de receber os investimentos são os já desenvolvidos e com infraestrutura aeroportuária.

Durante o evento, os locais mais mencionados entre os empresários foram Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. “Mas acho necessário não apenas analisar o tamanho do mercado, mas também do empreendimento. Porque na França e em Portugal, por exemplo, existem cassinos que vão de 200 a 2 mil pessoas.”

Interesse estrangeiro

Uma companhia internacional que já foi procurada por destinos e resorts nacionais é o grupo de casinos português, o Grupo Estoril Sol. “Ainda não há negócios concretos. Não sabemos se seria um investimento em jogos on-line ou físicos, mas há interesse. O País é um caminho natural para as empresas portuguesas pela forte relação”, diz o consultor para estratégia de negócios e operações do braço digital da Estoril Sol Digital, Rui Magalhães.

Para avançar na decisão de entrar no País, ele explica que a companhia deve aguardar uma melhoria no cenário econômico, e entre os principais fatores que devem influenciar será a incidência de impostos sobre o setor e o modelo regulamentar. “No caso dos cassinos on-line se regulamentados, os sistemas definidos devem estar em conformidade com modelos internacionais.”

Uma crítica colocada por ele é a falta de expectativa da regulamentação. “Estamos há três anos falando sobre a possibilidade de aprovação, mas o tempo passa e ninguém diz quando. Os planos vão avançar quando houver lei”, diz.

Poder público

Ainda nesta semana o deputado Federal, Roberto de Lucena (PV/SP), apresentará na Câmara de Deputados uma proposta para colocar a regulamentação em votação entre a população. “Minha proposta é incluir nas urnas de votação das Eleições de 2018 um campo para que seja votada a regulamentação”, disse o político no evento.

De acordo com ele, o setor precisa saber qual o impacto social e como o setor será monitorado para evitar questões ilegais. “Precisamos que o Ministério Público, a Polícia Federal e a OAB estejam munidas de informação e atestem que o sistema é seguro”, coloca.

Hoje existem dois projetos sobre o assunto, um na Câmara de Deputados (PL 442/91) e outro no Senado (PLS 186/16). (DCI – Vivian Ito)

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