Jogo do Bicho completa hoje 125 anos de operação


04/07/2017 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Nesta segunda-feira, dia 3 de julho, o jogo do bicho completa 125 anos de operação e, no dia 3 de outubro, serão 76 anos de proibição pela Lei de Contravenções Penais. A legislação proibitiva não alterou o cenário de ilegalidade do jogo no Brasil, que que movimenta, anualmente, em apostas clandestinas mais R$ 19,9 bilhões, sendo que apenas o jogo do bicho mais de R$ 12 bilhões.

Mesmo proibido, o brasileiríssimo jogo do bicho, se alastrou pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro e atingiu toda a população. Criada originalmente como Jogo das Flores, a modalidade ‘Loteria de Números’, que foi apresentada ao Barão de Drummond pelo mexicano Manuel Ismael Zevada, com o objetivo de obter recursos financeiros para o Jardim Zoológico, ganhou aprovação popular, dando-lhe legitimidade social até os dias de hoje.

Sobre a preferência pelos bichos, o Barão disse na época ao Diário do Commércio: “Flores são lindas. Mas animais são subúrbios do homem, nossos parentes”.

Primeiro bicho foi avestruz

O primeiro sorteio ocorreu num domingo, em 3 de julho de 1892. O bicho sorteado foi o avestruz. Nessa ocasião também foram disponibilizados para o público outros entretenimentos, porem o jogo do bicho foi o que obteve maior aceitação e mais repercussão na imprensa diária, mais do que a própria reinauguração do zoológico.

Foi um sucesso, virou mania naquela época. Tinha gente que ia ao zoológico só por causa do prêmio. Os bondes para Vila Isabel, principalmente no domingo, ficavam superlotados.

Morte do Barão de Drummond

Em 7 de agosto de 1897, após a morte do Barão de Drummond, os contraventores assumem a operação do Jogo do Bicho. Logo o sorteio pulou as grades do zoológico de Vila Isabel. E, começaram a organizar jogos em armazéns e botequins. Era a única maneira dos menos favorecidos, ganhar um dinheirinho extra.

Em seguida começou a confusão, quando o governo proibiu as apostas. O pessoal continuou jogando, com o gostinho especial de que proibido é melhor. A polícia, para fingir que não via, levava um dinheirinho…

Em 3 de outubro de 1941, o Decreto-Lei nº 3.688, tornou o jogo “contravenção penal” e as apostas cresceram mais ainda.

Estima-se que diariamente 20 milhões de brasileiros fazem uma fezinha no Jogo do Bicho e, a sua legalização, seria lucrativa para o Estado e para a sociedade, já que livraria milhões de brasileiros do constrangimento de serem considerados contraventores, e que passariam a exercer atividade licita e socialmente produtiva.

Apesar de ilegal e clandestino, o Jogo do Bicho continua vivo como uma das mais populares e onipresentes tradições culturais brasileiras.

Atualmente, cerca de 75% das apostas do Jogo do Bicho são realizadas através de POS (do inglês: Point of Sale ou Point of Service) dispositivos semelhantes as máquinas de pagamento de cartões de crédito ou em tablets.

‘Vale o que está escrito’

Seguindo a tendência de outros países, a legalização desta modalidade deveria garantir a manutenção desta modalidade com os atuais operadores. O Jogo do Bicho tem peculiaridades próprias que devem ser levadas em conta na sua legalização: jogo bancado com riscos e com muita capilaridade. Além disso, o Estado teria profundas dificuldades em fazer concorrência com uma modalidade que está em operação há muitos anos no Brasil. Legalizar o Jogo do Bicho sem os operadores atuais significa a continuação da modalidade do ‘vale o que está escrito’.

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