CEO da IGT, Walter Bugno: ‘um mundo de oportunidades’


18/07/2017 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades


Confira a íntegra da entrevista do CEO da IGT, Walter Bugno ao jornalista Tom Lewis da Revista Gambling Insider.

O que foi que atraiu você para construir uma carreira no setor de jogos?

Minha primeira exposição ao mercado de jogos se deu há quase 20 anos quando fui convidado para participar do Conselho da Star Games, um fabricante de máquinas de jogos na Austrália. Mais tarde ela foi comprada pela Shuffle Master. Na época, eu atuava num mercado completamente diferente, de bens de consumo de giro rápido, e aquilo me expôs a um mundo totalmente novo. Pouco tempo depois, fui convidado a assumir a posição de CEO de um grupo de casinos, na época conhecido como Tabcorp Casinos e agora chamado Star Entertainment Group. Essa indústria exerceu em mim um forte apelo e eu faço parte dela, desde então.

Quais são as principais mudanças ocorridas no negócio desde que foi concluida a fusão da IGT com a GTech em abril de 2015?

Faz dois anos que nos tornamos uma entidade única e a maior mudança é que desenvolvemos um foco especial para a inovação, fazendo disso o nosso principal motor de crescimento. Tudo o que fazemos – a forma como nos estruturamos e a maneira pela qual escolhemos investir – está tudo voltado para alcançar nossas metas de crescimento, ao mesmo tempo em que trazemos uma série de inovações para o mercado. Isso se aplica aos produtos atuais, disponíveis agora, e aos produtos que estamos desenvolvendo para o futuro. Este é um momento muito emocionante.

Quais são os objetivos de curto e longo prazo da IGT?

Falando especificamente sobre o lado internacional do negócio, definimos a IGT International como duas regiões distintas e ao lado de duas sub-regiões, sendo EMEA (Europa, Oriente Médio e África), América Latina, Ásia e Austrália. Dentro delas temos diferentes posições em termos de participação de mercado e potencial de crescimento. O mercado europeu é muito estável e amadurecido no negócio de jogos de casino e nosso objetivo ali é o de continuar a oferecer nossos conteúdos e inovações para construir sobre a nossa forte participação de mercado. Também estamos muito concentrados no crescimento do nosso negócio de loteria nos mercados europeus, o que nos oferece uma série de oportunidades, já que as loterias começam a passar dos canais mais tradicionais para canais inovadores através do crescimento da internet. Nós também temos muitos outros governos europeus que examinam os VLTs como uma oportunidade, e estamos, naturalmente, muito bem posicionados globalmente para aproveitar isso.
A América Latina é um mercado muito significativo, e estamos bem colocados tanto nos jogos em geral como no negócio de loteria. Há um mundo de oportunidades lá. As taxas de crescimento são significativamente maiores do que nos mercados europeus e também há alguns mercados que agora começam a se abrir para o jogo na perspectiva da regulamentação. Em toda a região da América Latina estamos vendo novos casinos sendo abertos e a concessão de novas licenças, além da perspectiva de abertura para o jogo online em várias jurisdições. Nossa equipe na América Latina tem pela frente um período muito ocupado.

Na Ásia, eu posso dizer que estamos sub-representados dada a reputação que temos no mercado. É um território onde, particularmente através dos esforços dos nossos estúdios de design para desenvolver e trazer jogos mais em sintonia com os interesses do jogador asiático, devemos ver um crescimento muito positivo na nossa participação de mercado em comparação com o que temos hoje. O mercado de loterias está constantemente mudando e vemos muitas oportunidades lá, e ainda estamos “cavando e cheirando” todos os dias procurando a chave do cofre que é este mercado chinês, com vista particular no negócio de loteria, dado que o jogo é proibido na China.  Achamos que o  nosso potencial de crescimento na China está no segmento de loterias. Estamos na Austrália e na Nova Zelândia há muito tempo – é um mercado muito importante pelo seu tamanho, o segundo maior mercado de jogos do mundo, e pela sua capacidade de antecipar tendências para algumas das maiores histórias de sucesso do jogo. Queremos ser um participante forte nesse mercado (tradicionalmente temos sido) e estamos trabalhando muito para recuperar a nossa participação de mercado na região.

Quais foram os maiores problemas que você teve que enfrentar nos últimos 12 meses? Você espera enfrentar os mesmos problemas em 2017?

Quando você opera em tantas jurisdições como nós, você sempre precisa estar atento e familiarizado com as complexidades de cada ambiente regulatório. Não há processos ou requisitos padronizados e, como resultado, precisamos estar constantemente alertas e preparados para fazer ajustes.
É claro que, com as pressões sociais presentes no mundo todo, a questão do jogo responsável é sempre algo a respeito do qual precisamos estar muito conscientes e sintonizados para garantir que, como provedores, estamos cumprindo com nossas responsabilidades, em vista do que o mercado e os reguladores esperam.
Além disso, eu diria que a competitividade inerente do mercado apresenta um desafio combinado – há muitos e ótimos operadores e fornecedores na indústria global de jogos, e todos tentam tirar uma lasca da nossa participação de mercado, e isso nos obriga a ficar permanentemente atentos sobre os produtos que estamos desenvolvendo e serviços que oferecemos aos nossos clientes. Temos de estar preparados para continuarmos a ser bem sucedidos.

Quão significativo é o fator da localização geográfica para a IGT, e como você sintoniza seus produtos para diferentes mercados regionais?

Não é apenas um fator significativo – é uma necessidade. Não existe uma solução global, porque não existe um jogador global. Enquanto desenvolvemos algumas temáticas que implantamos globalmente, estamos muito conscientes da necessidade de conteúdo sintonizado com o mercado, e estamos fazendo isso cada vez mais de forma mais eficaz. Eu não acredito que algum operador ou fornecedor tenha encontrado o modelo perfeito, mas na IGT estamos nos tornando significativamente mais fortes. Isso vai além do conteúdo e envolve também o nosso hardware e gabinetes. Temos uma presença global com nossos estúdios de design que estão em sintonia para nos ajudar a encontrar isso.

Você poderia revelar algum detalhe sobre a estratégia de jogos para dispositivos móveis da IGT em andamento?

No que diz respeito ao nosso foco no online, tudo o que fazemos é voltado para desktop e móvel – não diferenciamos os dispositivos pensando em cobrir todo o espectro. Mas, nós também começamos a olhar para o celular como um dispositivo puro para jogos, ao contrário de simplesmente oferecer jogos online no celular. Uma das nossas maiores inovações aqui é o PlaySpot. O PlaySpot é talvez o que melhor representa o que estamos fazendo aqui, reunindo jogos vendidos no varejo e online em um dispositivo móvel.
Além disso, contemplando o celular sob a perspectiva de um operador, no lado de sistemas do nosso negócio – que contribui de forma significativa para nossa receita ao redor do mundo – estamos usando dispositivos móveis de tal forma que os operadores possam dirigir mais eficientemente os seus negócios. Desde os supervisores que podem saber o que está acontecendo no seu estabelecimento através do uso de um dispositivo móvel, até os atendentes que são alertados para problemas experimentados por um cliente. As soluções dos dispositivos móveis são inúmeras pois o celular agora é parte integrante da vida diária, e nós precisamos suprir essa demanda das pessoas.

Tendo participado da ICE este ano com o título de “Inovação no Jogo”, você pode explicar melhor a forma como o negócio está inovando atualmente?

Temos compromisso com a inovação em três categorias. A primeira é a inovação em relação ao nosso núcleo tradicional. Temos novos gabinetes, muitos novos conteúdos e avanços tecnológicos significativos, como nosso novo gabinete TRUE 4D, que é uma experiência verdadeiramente assombrosa de imagem que os jogadores vão ver e sentir.
Em segundo lugar, temos inovações a partir do nosso negócio principal, por exemplo, produtos como o PlaySpot, que apresenta uma oportunidade para aprimorar toda a tecnologia operacional nos casinos em todo o mundo.
Finalmente, temos inovação para o amanhã, como o nosso jogo Race Ace Arcade, em que os jogadores dirigem um carro e ganham créditos como se estivessem jogando um jogo tradicional de slots. Também temos uma nova solução de realidade virtual. Em suma, estamos tentando capturar todo o espectro de inovações que a indústria do jogo tem para oferecer.

Como você avalia a atividade de M&A atualmente ocorrendo na indústria? A IGT continuará a avaliar oportunidades no mercado?

Desde há muito tempo, essa indústria vem mostrando muita atividadade de M&A em todos os setores e é razoável imaginar que sempre vão existir atividades de M&A de algum tipo. Você pode considerar que são consolidações ou que são organizações incorporando novas tecnologias ou novos processos de negócios ao seu portfólio, mas cabe ao mercado definir como classificar isso.
No que diz respeito a nós mesmos, tivemos uma enorme tarefa em reunir duas empresas extremamente grandes, e passamos a melhorar e dar mais realce ao negócio que continua sendo o nosso foco. Claro, se uma oportunidade surgir, avaliaremos se ela se encaixa na nossa estratégia.

Falando sobre o PlaySpot da IGT, qual foi a importância de ganhar o prêmio Produto de Casino do Ano na premiação dos Jogos Globais 2016?

Nós estamos em extase com esse prêmio, como estamos com qualquer prêmio que reconhece o trabalho do nosso pessoal. Para o PlaySpot, isso proporcionou um conhecimento instantâneo do produto para uma audiência global. Durante este show, tivemos pessoas da Ásia, América Latina, Austrália e Europa, todos querendo saber sobre o PlaySpot.
Também foi interessante e importante para nós que tenha sido bem sucedido na categoria “Casino Product of the Year”. Poderia ter sido considerada uma solução para dispositivo móvel, mas a verdade é que o Play Spot oferece muito mais do que isso indicaria.

A respeito disso, o que você acha que explica a ênfase que os operadores estão dando para as soluções móveis que podem ser utilizadas dentro de um cassino?

É um sinal de que os fornecedores estão se atualizando com os novos tempos. Recentemente, falei com um executivo de um dos maiores grupos de casinos do mundo, que disse que, se você lhe dissesse cinquenta anos atrás, que o telefone seria tirado da parede, tornando-se portátil e com toda a funcionalidade móvel que temos hoje, ele teria dito que você era um maluco! As soluções móveis são um lembrete de que, na operação de um casino, é preciso conhecer a evolução da tecnologia e como seus clientes estão interagindo com o mundo à sua volta – se não mantivermos soluções sintonizadas com o que nossos públicos demandam, vamos perder o jogo.

Como as empresas de sucesso no mercado de jogos se diferenciam da sua concorrência?

É justo dizer que todos fazem isso de forma diferente, e não há balas de prata para o sucesso no jogo. A maneira mais simples de ter sucesso nesta indústria é, em última instância, ouvir o cliente. Se você traz ao mercado o que os consumidores querem, você tem chance de sucesso. Se você traz ao mercado o que você acha certo, suas chances diminuem, e se você não ouvir ninguém, suas chances são zero. É simples assim. Nossa organização foi construída em torno de um par de princípios básicos – colocar nossos clientes em primeiro lugar e ouvir o que eles querem na nossa entrega de conteúdo de primeira linha, fornecendo-lhes o melhor serviço que pudermos.

Há mudanças regulatórias que acha que podem ocorrer ou que espera ver no próximo ano?

Nós temos olhado o Brasil que está buscando a regulamentação em todo o espectro de jogos e apresenta uma oportunidade genuína. O Japão é um mercado onde estamos assistindo desenvolvimentos com interesse. Em alguns dos mercados menores estamos sempre atentos à regulamentação dos mercados interativos, e estão surgindo algumas novas oportunidades com VLT, sendo a Colômbia um desses exemplos. Muitas jurisdições estão examinando projetos de expansão significativos, e eles são todos interessantes para nós.

Qual é a sua avaliação sobre o Japão especificamente? Com vista a Macau, existem muitas outras oportunidades de expansão nesse ritmo para a indústria de jogos?

Macau é um caso em separado e não acho que vamos ver o que aconteceu em Macau replicado em outro lugar. O Japão é interessante – é um mercado de jogos muito grande, mas é um mercado único com a prevalência do pachinko. Quão grande será o Japão? Não vou arriscar um palpite, mas posso dizer com certeza que será um mercado importante, tanto local como com grande potencial como destino turístico. No entanto, em termos de seu eventual tamanho, eu diria que é muito cedo para dizer, já que ainda não sabemos como serão o eventual regulamento e os parâmetros legais. (Gamblinginsider – 04.07.17).

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