Portugueses apostam seis vezes mais na ‘Raspadinha’ do que antes da crise


26/01/2018 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Nos primeiros 11 meses de 2014, o valor chegou aos 625 milhões de euros, e deverá fechar o ano na casa dos 680 milhões. Assim, em quatro anos, o montante apostado na “Raspadinha” subiu cerca de 550%.

Isto acontece numa conjuntura em que o rendimento disponível dos portugueses foi descendo, com particular impacto a partir de junho de 2011, data a partir da qual o plano de austeridade da dos ajustes econômicos começaram a ser aplicados pelo atual Governo. É, aliás, a “Raspadinha” que tem funcionado como motor de crescimento dos jogos sociais, explorados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que vai voltar a bater um novo recorde de receitas. Apesar disso, verifica-se o ritmo tem vindo a abrandar.

Olhando para os dados de janeiro a novembro (os últimos disponíveis), verifica-se que, dos sete jogos sociais da SCML, cinco perdem receitas. Outro, o Totobola, inverte uma tendência de quedas, mas a sua subida é residual: 1,9%, equivalente a 176 mil euros. Já na “Raspadinha” verifica-se um novo impulso, ao subir 15,2%, ou seja, houve mais apostas neste jogo correspondentes a 82,5 milhões de euros. Atualmente, a “Raspadinha” tem o maior peso no total das receitas da SCML e representa 37% do total das vendas. Juntos, este jogo e o Euromilhões valem 87% do valor apostado, empurrando os outros cinco (Totoloto, Totobola, Loteria Popular, Loteria Clássica e Joker) para uns escassos 13% do total.

Resultado imediato

Há várias explicações para o crescimento da “Raspadinha”, o único dos jogos sociais que tem resultados imediatos no ato de compra, logo, é mais propício ao consumo por impulso. Uma das explicações é o sucesso da introdução dos prêmios anuais, o “Pé-de-meia” e “Super Pé-de-meia”. São apostas mais elevadas, mas que podem resultar num prêmio mensal distribuído por vários anos, o que provocou a adesão dos portugueses a este tipo de jogo. Por parte da SCML, a instituição considera que ainda está beneficiando de um “efeito de substituição”, já que as receitas sobem, mas a despesa agregada do consumo de jogo continua baixando. “O fato de subirmos significa que estamos acolhendo parte da despesa em jogo ilegal e em outros operadores”, como os cassinos e bingos, diz Fernando Paes Afonso, vice-provedor da SCML e responsável pela área dos jogos sociais.

De acordo com os últimos dados disponíveis, nos primeiros sete meses deste ano os cassinos que operam em Portugal desceram 3,1% para os 200,2 milhões de euros. Por parte do grupo Estoril-Sol, que lidera este mercado, a queda foi de 4,6%, para os 125,3 milhões de euros. “Pese embora as previsões de ligeiro crescimento da atividade econômica ao longo do segundo semestre de 2014, as políticas macroeconômicas de austeridade e de ajustamento financeiro, às quais acrescem os níveis elevados e desadequados face à conjuntura atual da fiscalidade específica da atividade de jogo nos cassinos portugueses, têm condicionado fortemente a atividade operacional” dos cassinos em geral e do Estoril-Sol “em particular”, lê-se no relatório do terceiro trimestre deste grupo. Os bingos também têm conhecido uma tendência de quebra de receitas. No primeiro semestre, o valor das apostas foi de 127 milhões, menos 5% face ao período semelhante de 2013.

Já a SCML prepara-se para bater um novo recorde este ano. Nos primeiros 11 meses, as receitas brutas subiram 4,2% para 1,693 bilhões de euros, e a estimativa aponta para cerca de 1,850 bilhões já com os dados de dezembro.

Em 2015, ano em que se irá assistir à legalização do jogo online no mercado nacional, o que trará novos desafios à SCML, a instituição liderada por Pedro Santana Lopes prepara-se para lançar um jogo em regime de monopólio ligado ao desporto. Trata-se das apostas desportivas à cota (em que os ganhos dependem da menor ou maior probabilidade de sucesso do resultado escolhido, como, por exemplo, os gols marcados por uma equipe), e diz a SCML, está tudo preparado para lançar este jogo “assim que o Estado entender”.

Questionada sobre a expectativa ligada às apostas desportivas à cota, a SCML diz que a experiência dos seus parceiros europeus e os estudos realizados permitem-lhe “esperar uma grande adesão”, desde logo, destaca, “porque passará a ser possível fazer apostas em todos os jogos da 1.ª Liga Portuguesa de Futebol”.

Fonte: PúblicoPT 

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