De ponta a ponta, Ricardinho agora é o número 1 do mundo


09/02/2018 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



O clímax da festa não poderia acontecer de outra maneira. Bem ao estilo de Jorge Antônio Ricardo, de ponta a ponta. O melhor jóquei brasileiro de todos os tempos realizou o seu sonho de criança, hoje à tarde, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires. No dorso de Hope Glory, no quarto páreo da programação, Ricardinho atingiu a incrível marca de 12.845 vitórias em sua carreira. E, a partir de agora, entrou para a história como o recordista mundial de vitórias. O público argentino aplaudiu de pé o campeão. Os dirigentes do clube hípico argentino o receberam com champanhe e o campeão agradeceu a acolhida do público durante os últimos 12 anos. Ricardo também quis ressaltar, emocionado, o incentivo do jóquei canadense Russel Baze, seu grande rival durante tantos anos, depois de ter parado de montar.

“Ao povo argentino só tenho palavras de agradecimento. Me receberam desde 2.006, quando saí do Brasil para montar aqui, com carinho, respeito e incentivo. Estiveram do meu lado com palavras de apoio nos momentos difíceis, na doença e, posteriormente, quando sofri graves acidentes na raia. Posso afirmar ter aprendido o que é paixão pelo turfe na Argentina. Ninguém ama tanto este esporte como os “Burreros”. Gostaria de lembrar também de Russel Baze, um rival digno, leal, e que também seria merecedor de ser o número um do mundo. Ele me deu muito trabalho nestes últimos anos. Cheguei a pensar que seria impossível ultrapassá-lo. Graças a Deus, depois de muito sacrifício, eu consegui”, exultou.

Jorge Antônio Ricardo começou a montar na Gávea, em 1976. O líder absoluto era Juvenal Machado da Silva, que manteve a hegemonia da estatística até 1982. Na última reunião deste ano, Ricardinho e ele chegaram empatados. Jorge Ricardo levou a melhor e daí em diante, até 2.006, ou seja, por 24 anos consecutivos, foi o campeão da Gávea. Os dois melhores cavalos montados por Jorge Ricardo, segundo ele mesmo faz questão sempre de afirmar, foram Much Better, do Stud TNT, e Falcon Jet, do Haras Santa Ana do Rio Grande, coincidentemente, os dois que o levaram aos triunfos no Grande Prêmio Brasil. Na Argentina, contratado inicialmente pelo Stud Rubio B, Ricardinho conseguiu interromper a hegemonia do uruguaio, Pablo Falero, algo que os argentinos consideravam ser tarefa impossível. Os dois se revezaram durante algumas temporadas no topo do ranking até que apareceram bons valores como Altair Domingos, Francisco Leandro e Eduardo Ortega para assumir o ranking. Vale lembrar, que o brasileiro venceu três GPs Carlos Pellegrini através de Much Better, Gorilla e Ídolo Portenho. Enfim, um currículo irretocável!

Difícil saber o futuro de Jorge Ricardo a partir de agora. O campeão rechaça a possibilidade de treinar cavalos de corrida. Aposentadoria é uma possibilidade que ele já cogita, embora diga que precisa pensar sobre o assunto primeiro. Trabalhar como repórter ou comentarista de turfe parece ser o destino do campeão. Aos 56 anos, fluente, carismático e profundo conhecedor do mundo do turfe, Jorge Antônio Ricardo poderia falar sobre o assunto com sucesso em qualquer meio de comunicação do mundo. Agora é comemorar. Foi uma longa jornada de pouco mais de 40 anos. Recordista mundial de vitórias, Ricardinho garantiu um lugar no livro dos recordes neste dia 7 de fevereiro de 2.018. E também, um lugar cativo na história da humanidade quando o assunto for cavalos de corrida.

Fonte: Raia Leve