Hotelaria mantém expectativa, apesar do veto à legalização dos jogos de azar no Senado


11/03/2018 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Nesta quarta-feira (7), a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado barrou o projeto que propunha a legalização dos jogos de azar no Brasil. O texto foi rejeitado quase por unanimidade, sendo que apenas dois membros da comissão votaram pela aprovação. A hotelaria acompanha de perto essa movimentação em Brasília. Em conversa com a reportagem do Hotelier News, lideranças do setor comentaram a decisão.
Apesar da negativa, o plenário da Casa ainda pode apreciar a proposta. Contudo, a hipótese de haver uma reviravolta é considerada remota, pelo menos com o texto apreciado. As fichas do mercado hoteleiro agora se depositam no projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados. O setor, no entanto, entende que não há espaço político para análise ainda este ano. Votações importantes, como a Previdência, estão à frente na pauta de discussões da Casa. Além disso, as eleições majoritárias de outubro devem monopolizar atenções entre os parlamentares.

Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), disse que o projeto que será analisado na Câmara é mais amplo do que o rejeitado pela CCJ do Senado. “O texto vedava a presença de cassinos a resorts e centros de lazer, bem como limitava o números de cidades que podiam recebê-los. Por isso, minha impressão é que o lobby dos jogos de azar não abraçou o projeto”, avalia. “Além disso, o projeto da Câmara é também mais amplo ao buscar a liberação de uma série de jogos de azar, como bingo e máquinas caça-níqueis. Então, a proposta ficou com uma cara de projeto da hotelaria mais do que qualquer outra coisa”, completa.
Jogos de azar: veto surpreendeu
Alberto Cestrone, presidente da ABR (Associação Brasileira de Resorts), revela que o veto surpreendeu a associação. “Trabalhamos para a aprovação, que poderia trazer um incremento significativo para resort e para o turismo. O veto surpreendeu, sobretudo, porque o texto previa benefícios fiscais para cada estado que recebesse cassinos”, revela. “Resorts são um produto natural para absorver um empreendimento como esse. Não necessita grandes investimentos e ainda possui boa gastronomia e estrutura já prontas para fazer funcionar.”
Cestrone endossa as palavras de Sampaio sobre a amplitude do projeto da Câmara. “Sem dúvidas é mais amplo. Com isso, ele pode atrair mais interesse de outras entidades setoriais”, comenta o presidente da ABR. “Ao mesmo tempo, por ser mais amplo, pode também enfrentar maior resistência na Casa dos parlamentares”, acrescenta.
Manoel Linhares, presidente da ABIH (Associação Brasileira Indústria Hotéis) acredita que o Brasil já está bastante envolvido com os jogos de azar. “A legalização é importante. Isso tem impedido a geração de receitas na economia brasileira. Já basta o momento difícil que o país passa. Por isso, a hotelaria apoia o projeto, que vai gerar impostos, empregos e atrair mais turistas”, diz.
Linhares também acredita que o setor de jogos é uma ótima maneira de “desenvolver regiões” e cita como exemplo a cidade americana de Las Vegas. “Las Vegas se desenvolveu muito e hoje é um ícone com os melhores hotéis, gerando resultados positivos para o país”, avalia.
Autorregulação x sobreoferta
Já Manuel Gama, presidente do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), ressalta que, uma vez aprovada a legalização dos jogos de azar, não será assim tão simples atrair turistas estrangeiros. Segundo Gama, a qualidade dos empreendimentos será vital para o sucesso da medida.
“Nenhum americano vai sair do seu país para conhecer um cassino vulgarizado. É necessário apresentar diferenciais. Obviamente, para dar certo, precisamos de organização e bom planejamento”, acredita.
Para ele, para gerar qualidade, é necessário limitar onde e como serão posicionados os estabelecimentos. “Não pode ser algo sem limite, que qualquer um possa construir. Devemos tornar os poucos empreendimentos bons o bastante para geração de renda no Brasil”, diz.
Alexandre Sampaio, segue outra linha. Ele não vê risco em relação a uma possível sobreoferta de cassinos no país. “O mercado se autorregula”, acredita. “Para o Rio de Janeiro, cidade com forte vocação turista, seria ótima a aprovação, principalmente para a hotelaria da Barra da Tijuca, que está ociosa”, completa.

Fonte: Hotelier News 

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