Hélio Schwartsman: Jogo proibido


12/03/2018 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



O lobby pela legalização dos jogos sofreu um revés esta semana com a rejeição, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, do projeto de lei que liberaria e regulamentaria a atividade. A matéria ainda irá para o plenário, mas o placar da votação, um eloquente 13 a 2, resultado da aliança da esquerda com a bancada da Bíblia, mostra que o clima não é favorável aos entusiastas da jogatina.

Creio que o jogo, mesmo quando bem controlado, atrai para seu entorno alguma atividade criminosa. Há ainda possibilidade de a proliferação de casas de aposta trazer repercussões negativas para a saúde mental de pessoas propensas ao jogo compulsivo. Parecem-me também algo exagerados os cenários de arrecadação milionária projetados pelo lobby. Eles falam em R$ 12 bilhões a R$ 18 bilhões por ano em impostos.

Não penso, porém, que essas sejam razões suficientes para manter a proibição, que, segundo as más línguas, teria sido iniciativa de Dona Santinha, o apelido da mulher carola do presidente Eurico Gaspar Dutra.

Meu argumento é essencialmente filosófico. Não creio que esteja entre as atribuições legítimas do Estado decidir como cada cidadão pode gastar o dinheiro que ganhou. Se o sujeito se diverte jogando roleta a dinheiro e se essa atividade não representa ameaça direta a terceiros, não faz nenhum sentido proscrevê-la.

O que me chama a atenção é a incongruência de setores da esquerda que defendem a legalização das drogas com base no argumento da autonomia individual, mas não a do jogo. Ora, todas as hierarquias de valores conhecidas colocam a saúde física, que é impactada pelas drogas, mas não pelo jogo, acima do patrimônio, impactado pelas drogas e pelo jogo.

A única explicação que me ocorre é que a esquerda parece nutrir uma espécie de fobia ao dinheiro. É louco, considerando que a moeda foi uma das invenções que mais bem-estar trouxe à humanidade.
Fonte: BNL Data

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