Proibidas, casas de jogos eletrônicos ilegais têm se multiplicado no Rio


08/08/2018 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



O jogo ilegal voltou a dar as cartas no Rio de Janeiro. Aproveitando a fragilidade da estrutura de Segurança Pública do estado sob intervenção federal desde fevereiro, as proibidas casas de jogos eletrônicos têm se multiplicado.

Levantamento do Disque-Denúncia mostra que as informações sobre bingos clandestinos mais que dobraram no primeiro semestre do ano, comparando com o mesmo período de 2017. Entre janeiro e julho de 2018 foram 697 informes, contra 336 no ano passado, um aumento de 107%.

É tanto bingo ilegal funcionando que as denúncias dos primeiros sete meses deste ano já estão beirando o total de 2017, quando foram registrados 796 informes. Os dados do Disque-Denúncia, ONG que há mais de 20 anos auxilia a sociedade no combate ao crime, são a única referência com relação à presença do jogo ilegal no estado. O Instituto de Segurança Pública (ISP) autarquia criada justamente para reunir e analisar os crimes, com o objetivo de subsidiar as políticas de segurança não pesquisa, portanto não divulga, a incidência de bingo clandestino ou máquina caça-níquel. Ou seja, no Rio, o jogo sobrevive escondidinho até das estatísticas oficiais.

O levantamento do Disque-Denúncia mostra que os bingos clandestinos estão instalados em vários municípios, sendo a maior parte deles na capital. Cascadura, Copacabana, Tijuca, Centro e Botafogo são os bairros que mais acolhem as ilegais casas de jogos eletrônicos. Fora da capital, Niterói, São Gonçalo e Nova Iguaçu estão entre os municípios onde a máfia do jogo se sente mais à vontade para funcionar.

Polícia Militar

Além do Disque-Denúncia, parece que apenas a Polícia Militar se preocupa com a expansão do jogo ilegal. Entre abril e junho, a Corregedoria da PM, por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, fechou três bingos em Niterói e um em São Gonçalo. Foram apreendidas 213 máquinas. Cento e sete pessoas, entre funcionários e apostadores, foram presas.

Na Região dos Lagos, onde contraventores de Niterói tentam impor o jogo clandestino, o 32º BPM (Macaé) “estourou”, no primeiro semestre deste ano, nada menos do que 22 bingos. A maior parte deles, 13, em Rio das Ostras. No total, os agentes do serviço reservado do 32º BPM apreenderam 448 máquinas.

Segundo o tenente-coronel Rodrigo Ibiapina, comandante do Batalhão de Macaé, em geral, os bingos ilegais jogam da mesma maneira: em segredo e com um acesso muito restrito. “Eles não abrem as portas para qualquer um e funcionam escondidos, em lugares discretos, na maioria das vezes nos horários compreendidos entre 15h e 0h, de segunda a segunda”.

O coronel Ibiapina afirma que os donos de bingos usam várias estratégias para não serem apanhados em flagrante. “Como a utilização de olheiros, que avisam sobre a presença da Polícia, e câmeras de segurança que monitoram a movimentação externa dos locais”.

Segundo o coronel, os funcionários, quando flagrados, são levados à delegacia, onde são ouvidos e liberados, após serem autuados na Lei de Contravenções Penais, que é de 1941 e tão velha que tem como pena multa “cuja importância não pode ultrapassar cinquenta contos”, de acordo com a redação do texto. “O jogo tornou-se muito popular entre os brasileiros, em especial entre a população fluminense, e a falta de leis específicas dificulta o combate e a fiscalização do funcionamento das casas de bingo”, lamentou o comandante.

O DIA procurou o Gabinete de Intervenção, a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil, questionando por qual razão apenas a Polícia Militar reprimia os bingos, mas não houve resposta.

Legalização do jogo é barrada

Desde a proibição dos jogos de azar no país, em 1946, foram muitas as tentativas de legalização. Todas sem sucesso. Em março, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado se manifestou contra a aprovação do projeto de lei (PLS 186/2014) que autoriza a exploração de bingos, jogo do bicho, videojogo e outras modalidades de apostas.

Um dos que deu parecer contrário foi o senador Magno Malta (PR-ES). Ele afirmou que o argumento de que legalizar o jogo vai criar empregos e levar para os cofres públicos cerca de R$ 15 bilhões de impostos a mais, por ano, é irreal, e que países que liberaram o jogo enfrentam elevados custos em razão de problemas e patologias associadas ao vício do jogo. “Os benefícios da legalização da jogatina serão maiores do que os custos? Para especialistas, a resposta é não”.

R$ 20 bilhões em apostas ilegais

Nogueira (PP-PI), autor do projeto que legaliza os jogos de azar e a abertura de cassinos no País.

Segundo Nogueira, o objetivo é garantir mais dinheiro aos cofres públicos, além de gerar milhares de empregos. O senador afirmou que existe uma “cortina de fumaça”, como se o jogo já não fosse uma realidade. “O Brasil, hoje, é um dos países em que mais se joga no mundo”.

Para o senador Benedito de Lira (PP-AL), a legalização acabaria com as casas de jogos clandestinos. “Tornar transparente essa atividade em muito ajudará no combate à lavagem de dinheiro. A legalização também permitirá atendimento aos viciados em jogos que na clandestinidade de hoje não possuem saída alguma”, garantiu.
Fonte: O Dia

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