Brasil acumula títulos internacionais e se destaca cada vez mais no goalball


22/11/2018 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



O goalball é disputado entre dois times, com três jogadores de cada lado. Assim como o futebol, o objetivo do goalball é fazer gols numa goleira – que tem dimensões de 9m de largura, por 1,30m de altura. O trabalho dos atletas é de arremessar e defender (confira no infográfico abaixo). O esporte foi criado especificamente para deficientes visuais, sendo assim, a bola tem guizos no interior que emitem som para orientar o atleta. 

Leomon Moreno da Silva representa o país na seleção brasileira desde 2012. O atleta profissional começou a jogar aos 12 anos e lembra que o torcedor também segue recomendações durante os 24 minutos de partida. “No goalball é solicitado silêncio enquanto a bola está rolando, e nos momentos que saem gol e momentos de defesas muito difíceis, com certeza a torcida se manifesta e comemora.”

Na opinião de Leomon, grande artilheiro da seleção brasileira de goalball, as Paralímpiadas Rio 2016 deram visibilidade ao esporte para pessoas com deficiência. “Foi um pontapé muito grande para a sociedade saber que existem atletas com deficiência, atletas de alto nível e que são referência no que fazem.” Leomon ainda diz que entre os esportes paralímpicos, o goalball é uma das modalidades que mais cresce no cenário mundial.

Um pouco de história
A modalidade esportiva foi desenvolvida especificamente para deficientes visuais no período do pós-guerra, em 1946. O esporte servia para reabilitação dos veteranos que perderam a visão. Portanto, o goalball é o único esporte paralímpico que não foi originado de modalidade praticada por pessoas sem deficiência. 

No Brasil, o goalball começou a ser praticado em meados da década de 1980. A primeira participação em Jogos Paralímpicos aconteceu em Atenas 2004, com a equipe feminina. A presença em pódio pelo Brasil começou no ciclo 2009/2012. A primeira conquista internacional veio em 2011, nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, no México, em que a equipe feminina ficou com a prata e a masculina com o ouro. 

No ano seguinte foi o grande título, de acordo com o treinador esportivo da equipe masculina da seleção brasileira, Alessandro Tosim. O Brasil foi vice-campeão dos Jogos Paralímpicos de Londres 2012. O goalball feminino, em Londres, ficou entre as oito melhores seleções paralímpicas. 

Na sequência de conquistas, a equipe masculina do Brasil levou o título de Campeão Mundial 2014 em Espoo, Finlândia. A seleção feminina ficou em 5º lugar. No ano seguinte, a conquista do ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto 2015 foi para as duas categorias. Nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, a equipe masculina ficou com bronze e a feminina em 4º lugar.

Em junho deste ano, o time masculino se tornou bicampeão no Mundial em Malmo, na Suécia, e a equipe feminina conquistou a inédita medalha de bronze. Com os dois títulos no masculino e o bronze no feminino, o Brasil garantiu a vaga nos Jogos Paralímpicos de Tóquio de forma antecipada.

Com toda essa experiência brasileira, o treinador Alessandro Tosim estabeleceu uma meta para o time masculino. “A nossa seleção é composta por atletas extremamente talentosos e com o trabalho árduo da comissão técnica, trabalhando diariamente com eles está fazendo com que esses talentos esportivos só se despertem cada vez mais. Então a gente não tem como fugir disso: nossa meta é ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, no Peru, no ano que vem e a medalha de ouro em Tóquio, em 2020.”

Adversários
Na avaliação do treinador, o Brasil tem três grandes adversários pela frente. O primeiro deles é a Lituânia – atual campeã paralímpica, e que foi para final contra o Brasil no Mundial da Suécia, decidido na prorrogação. Depois é a seleção da Alemanha, atual vice-campeã mundial, que tem uma equipe de atletas jovens; e a Bélgica, que ficou com o bronze no campeonato Mundial. O treinador lembra ainda que a equipe dos Estados Unidos está se reestruturando para as competições e a seleção do Irã também costuma surpreender.

Cenário nacional 
Para tentar fazer parte deste seleto grupo que representa o país no exterior, os atletas brasileiros mostraram suas habilidades na principal competição nacional, a Copa Loterias CAIXA de Goalball. Os campeonatos das Séries A e B 2018 terminaram no domingo (18). As competições no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, reuniram 12 equipes masculinas e oito femininas na Série A, e mais oito masculinas e seis femininas pela Série B, de todas as regiões do país. 

O olhar do treinador fica sempre atento, conforme comenta Tosim. “É a competição que dá mais visibilidade porque é onde estão os principais atletas, é uma competição onde eu fico o tempo todo analisando os atletas.” Alessandro lembra também a importância das Paralímpiadas Escolares que termina na sexta-feira (21).  “Essa competição também é bem importante porque aparecem os jogadores jovens, essa competição é até 17 anos, ali a gente já seleciona alguns atletas que vem para a seleção de jovens e nossa pretensão é que futuramente sejam jogadores da seleção principal, são as duas principais competições” enfatiza Tosim.
Fonte: CAIXA

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