Fabamaq: os portugueses que fazem jogos para cassinos no mundo todo


25/06/2019 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Quem entrar nas novas instalações da Fabamaq, no Campo Alegre, poderá pensar que os colaboradores estão jogando cartas no computador em vez de trabalharem, mas não. Aqui, os jogos não são mera diversão ou um escape à concentração, mas sim o centro de tudo o que se faz dentro de portas. Desenvolver softwares de jogos para cassinos é a principal área de negócio desta startup com nove anos de vida. Entre os três pisos do edifício, inaugurado em janeiro, encontramos Sebastião Oliveira, responsável pelo departamento criativo e colaborador da empresa desde o primeiro dia. “Estudei cinema na Covilhã, onde desenvolvi muito a parte de motion graphic, animação 2D e efeitos especiais. Juntei-me à equipa para fazer a ponte entre aquilo que era a programação e a parte mais artística e visual”, explica em entrevista ao Observador.

Na Fabamaq, criam-se jogos tradicionais em máquinas, os chamados land-based, e jogos online para casinos, sendo o bingo eletrônico ou o vídeo bingo a principal especialidade. O processo começa numa equipa responsável pela análise de produto, que visita feiras em Las Vegas, Inglaterra ou Macau e pesquisa o mercado, identificando as principais necessidades e tendências. Depois de planear o jogo que vão fazer, segue-se o desenvolvimento da parte técnica, com direito a vários protótipos e maquetes. Entra depois em cena o departamento artístico, que compõe a imagem e o som, e passa tudo finalmente à fase de testes e controle.

“Os testes são uma fase muito importante, à qual damos bastante atenção, pois é isso que dá credibilidade aos nossos jogos. Se uma máquina encravar numa sala pode afetar a imagem do produto e depois esse sentimento é contagiado”, esclarece Sebastião Oliveira. O ideal era este processo durar apenas uma semana, mas há ciclos de lançamentos que podem demorar seis meses.

Na área criativa, Sebastião dedica-se a desenhar o jogo de forma mais apelativa possível, trabalhando várias tecnologias. O que tem de ter um bom jogo? “Envolvência e atenção ao detalhe.” Segundo o especialista, o seu trabalho é intuitivo e são vários os sentimentos que devem ser transmitidos num jogo.

“Estamos numa indústria em que as pessoas não vão jogar os nossos jogos apenas pelo divertimento, mas têm como objetivo principal ganhar dinheiro, ora isto provoca emoções fortes nas pessoas, há um sentimento de risco, uma esperança, existe um perigo inerente e um sentido de sorte e de dúvida.”

As decisões passam por usar uma imagem estática ou um conteúdo animado, escolha de sons ou cores, e tudo depende do tema escolhido para cada jogo, cujo processo de construção varia consoante os objetivos a cumprir. “Toda a indústria de jogo vive muito à volta de temas que são criados para atrair jogadores. Normalmente os jogos são de interação simples e os temas servem para cativar ainda mais as pessoas. Há um bingo no gelo e outro no Egito, por exemplo. Os cenários de cada tema servem como base para a paleta de cores, para o lettering ou para figurar os bônus.”

A Fabamaq desenvolve o software do jogo, mas as máquinas são produzidas na Filipinas, por isso é necessário acompanhar todo o processo para tentar visualizar a forma como as criações são adaptados a cada máquina. “O objetivo é que o cliente tenha a experiência mais imersiva possível. A máquina e o jogo fazem parte do mesmo conjunto, a interação que existe entre os dois é essencial”, sublinha Sebastião Oliveira, acrescentando que a máquina condiciona e potência cada jogo criado.

Obu Studios: o novo segmento de jogos online

Além dos jogos mais tradicionais em máquinas, a empresa aventurou-se em 2012 no mercado de jogos online para casinos, mas sentiu a necessidade de ter uma equipe inteiramente dedicada a essa função. Foi assim que, no ano passado, a Fabamaq criou a Obu Studios, uma unidade exclusivamente dedicada ao mundo virtual. “Sentíamos que não estávamos 100% dedicados a essa área e era uma área de crescimento, que podíamos apostar mais”, explica Alexandre Gonçalves, responsável pelo departamento técnico da startup, acrescentado que, apesar de a Fabamaq já desenvolver jogos online, “precisava de dar esse passo”, uma vez que o mercado tradicional já estava “estabelecido”.

Termine de ler na Fonte: Observador

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