A “invasão” dos patrocínios das casas de apostas no futebol brasileiro


09/08/2019 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Desde dezembro do ano passado, fazer uma aposta em um time de futebol brasileiro por meio de um site especializado não é crime. Em uma das suas últimas medidas antes de deixar a presidência, Michel Temer sancionou a Lei nº 13.756/2018, cuja modificação mais importante foi que, a partir de então, a lei brasileira passou a considerar a atuação dessas empresas como parte de um “sistema de apostas relativas a eventos reais de temática esportiva, em que é definido, no momento de efetivação do jogo, quanto o apostador pode ganhar em caso de acerto do prognóstico”.
A regulamentação é provisória porque, agora, o governo terá um ano e meio para discutir com os envolvidos e publicar as regras de operação dos sites no Brasil. Enquanto isso, elas já podem angariar apostadores em território brasileiro.
“As pessoas já utilizam (os sites de apostas) há muito tempo, mas o dinheiro ia para fora do país. Melhor que ele fique aqui e gere receitas para o governo e a iniciativa privada”, avaliou Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.
Os clubes de futebol são os mais beneficiados com a nova regra, segundo analistas: o Flamengo anunciou há um mês um acordo com uma empresa de apostas europeia que, a princípio, não vai exibir sua marca no uniforme rubro-negro. O rival Fluminense, no entanto, tem o nome de um site de apostas chinês na omoplata desde a metade de julho. Eles são parte de uma lista de dez times da elite do futebol nacional que são patrocinados por algum tipo de site de apostas: Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Fortaleza, Santos e Vasco completam o quadro.
“O Campeonato Brasileiro tem grande audiência no mercado asiático, especialmente na China”, disse Michael Rocha-Keys, diretor de uma consultoria que intermediou a negociação entre o Fluminense e a empresa chinesa. Durante a Copa América, encerrada em julho, outro site de jogos online também divulgou sua marca nas placas de publicidade digitais dos estádios brasileiros.
Sites de notícias do Cruzeiro, do Atlético-MG, do Flamengo e do Corinthians feito por torcedores, por exemplo, também já lucram com as vendas de publieditoriais de empresas de transmissões de jogos online.
O Brasil entra em um mercado que já rende grandes receitas para clubes europeus: o setor de jogos movimentou 35 bilhões de euros (R$ 146 bilhões) na Espanha, segundo a Fundación Codere. O governo do país diz que há 800 mil apostadores ativos hoje. A La Liga, assim como o Brasileirão, tinha dez clubes cujas receitas vinham, em parte de sites de apostas esportivas, no ano passado.
Na Grã-Bretanha, em que apostar em qualquer coisa é uma tradição, o fluxo é maior: 14,4 bilhões de libras (R$ 65 bilhões). O estádio do Stoke City, da EFL Championship (a Série B local) foi a primeira arena de futebol de grande porte do continente a ser batizada com o nome de uma empresa de apostas. Em outros países do bloco, como Portugal, a regulamentação existe há pouco tempo.
A regulamentação, no entanto, veio em boa hora: empresas de apostas estrangeiras já fazem circular R$ 4 bilhões por ano no Brasil. A Loteca, da Caixa, era a única casa de apostas em times de futebol até dezembro. Em um artigo, os advogados Pedro Trengrouse e Flavio Zveiter comemoraram a regulamentação, mas pediram que o Estado fiscalize direito:
“Com a devida regulamentação, as apostas esportivas podem ser fonte de muitas receitas para o esporte, não somente através de patrocínio, como já ocorre principalmente na Inglaterra, mas também através de compensação pelos riscos de manipulação de resultados e pela utilização comercial do conteúdo esportivo.”
Fonte:
LANCE! 

WhatsApp chat