Clubes devem faturar mais com patrocínio de apostas do que com a Caixa


20/08/2019 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



A regulamentação dos sites de apostas esportivas no Brasil, projetada para ocorrer até o final do ano, deve gerar uma receita extra aos clubes que representa mais do que a Caixa Federal investia no futebol. Com a lei 13.756, sancionada no ano passado pelo ex-presidente Michel Temer, as equipes têm a ganhar em duas frentes: com patrocínios do setor e em porcentagem sobre o volume de apostas.
Com a chegada dos sites internacionais de apostas ao país, é esperado que, em pouco tempo, essas empresas se tornem as principais investidoras nas camisas dos times da Série A do Brasileirão. No momento, 11 dos 20 times da elite já contam com aportes financeiros dessas empresas. Outra forma de ganho está garantida na lei, que prevê que 2% da movimentação das apostas seja destinada aos clubes.
Segundo projeções de advogados especialistas no tema, a pedido de O GLOBO, essas duas frentes representam mais de R$ 300 milhões ao futebol.
— O potencial de patrocínio é maior do que a Caixa Econômica Federal investia no futebol. Pego como base o valor dos patrocínios na Premier League e faço uma extrapolação para o mercado brasileiro. Minha estimativa é de mais ou menos R$ 224 milhões — afirma Luiz Felipe Maia, advogado especialista em regulação de jogos pela Universidade de Las Vegas.
Como forma de comparação, a Caixa, que deixou de apoiar o esporte neste ano, desembolsou R$ 127,8 milhões em aportes para 25 clubes, das Séries A, B e C em 2018.
Maior mercado de apostas esportivas do mundo, o Reino Unido movimenta US$ 3 bilhões por ano no setor. Entre os 20 clubes que disputam a Premier League, divisão de elite do Campeonato Inglês, dez contam com sites de apostas como patrocinador máster de camisa.
Para Pedro Trengrouse, vice-presidente da Comissão Especial de Direito de Jogos Esportivos, Lotéricos e de Entretenimento do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, apenas a primeira divisão pode conquistar patrocínios com montante maior do que tudo o que a Caixa gastava com futebol, em times das três principais divisões do país.
— Se todos os clubes da série A tiverem um site (de apostas) como patrocinador máster, o que certamente só poderá ocorrer com a devida regulamentação, o valor que se poderia arrecadar supera R$ 150 milhões por ano —projeta Trengrouse.
O advogado lembra que há outras frentes de ganhos aos clubes com a lei que permite a exploração de apostas esportivas no Brasil.
— É importante ressaltar que a lei prevê a destinação de 2% do movimento das apostas para os clubes de futebol. Isso hoje representaria R$ 80 milhões por ano — afirma Trengrouse.
Para Maia, é preciso uma correção na lei, já que ela prevê apenas a remuneração dos clubes de futebol por uso de imagem nos sites de apostas.
— Hoje, só o futebol é remunerado pela lei. Ou seja, apostas no NBB (Novo Basquete Brasil), por exemplo, vão gerar receita apenas para o futebol. É um ajuste que será preciso fazer na lei — explica Maia.
Fonte: O Globo

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