EUA e China: guerra comercial afetará as licenças dos cassinos de Macau?


29/09/2019 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Há uma ligação direta entre Donald Trump e pelo menos um líder e um ex-presidente dessas empresas, o que transforma as concessões que serão atribuídas em 2022 num poderoso às de trunfo que pode ser usado por Xi Jingping nas negociações com Washington. É difícil saber se o jogo irá mudar, mas os dados estão lançados para que a renovação das licenças tenha um papel importante nesta disputa.

“Seriamos ingênuos se achássemos que não terá impacto. Se houver alguma retaliação, há um ou dois líderes que têm relações diretas com Donald Trump [Sheldon Adelson da Sands, e o ex-líder da Wynn, Stephen Wynn], e seriam os dois mais prováveis alvos desta guerra”, afirmou ao PONTO FINAL o analista e especialista em jogo Ben Lee, diretor da consultora Igamix, quando confrontado com possíveis efeitos do diferendo comercial que opõe os dois colossos do Ocidente e do Oriente. Macau, através da concessão de licenças de jogo para os casinos, pode ter assim um papel importante nas negociações desta contenda.

Pequim tem porventura em Macau uma das armas mais eficazes de retaliação contra os EUA, uma vez que em breve irá iniciar os processos de decisão das licenças de jogo para as próximas décadas. Pelo menos até 2022 vão estar no território as atuais três operadoras norte-americanas, além das já mencionadas Sands e Wynn, há ainda a MGM. As três, através de subsidiárias locais, valem 60% das receitas anuais do jogo, de um total de 302,8 bilhões de patacas, em 2018. Um valor três vezes maior do que em Las Vegas.

A China ainda não deu nenhuma indicação pública de que esteja a reter as licenças dos cassinos de Macau como arma na guerra comercial, mas perdê-las seria um golpe significativo para qualquer uma das empresas americanas que têm em Macau uma fonte de receita muito importante.

O economista Albano Martins, ao analisar o que estará para vir, abriu espaço à imprevisibilidade. “Se Trump continuar com a sua tolice relativamente ao comércio internacional, e se as coisas se agudizarem, Macau é território chinês e tudo pode acontecer”. Mas deixou um alerta: “Do ponto de vista econômico não é inteligente perder os cassinos que já cá estão instalados, os novos teriam de estar muito dependentes dos anteriores concessionários”, lembrou.

E depois explicou quais os problemas que traria a mudança na composição dos operadores. “Como se sabe as instalações de jogo são entregues ao Governo, mas não os complexos. Esses são propriedade dos anteriores concessionários. Não é fácil do ponto de vista econômico a China usar essa arma, mas numa luta sangrenta tudo pode acontecer”, identificou.

Ben Lee não pensa que haja nenhum impacto a esse nível. “As pessoas dizem que vai ser terrível, e que milhares de empregos serão perdidos, mas se olharmos para o sistema de autocarros públicos e concessões, em que um operador estrangeiro saiu, o que aconteceu é que este passou as rotas que operava para as empresas que já existiam”, recordou.

O líder da consultora Igamix considera que apesar de serem escalas diferentes, transportes e jogo podem-se comparar. “Se uma ou duas concessões a estrangeiros terminarem, eles têm o direito — por causa da concessão de terras — de continuar a operar os hotéis por mais cinco anos. Mas como sabemos, os hotéis por si só não fazem dinheiro”, explicou. “A outra possibilidade é que haja alguém novo a entrar. E o novo concessionário vai fazer uma negociação com o que perder, do género ‘eu pago para ficar com os bens que existem’”, acrescentou.
Termine de ler na Fonte: BNL Data

WhatsApp chat