O jogo vai começar: por que a sueca Betsson comprou a Suaposta


22/12/2019 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



A sueca Betsson — uma das cinco maiores empresas de online gambling do mundo — acaba de comprar 75% da brasileira Suaposta, no primeiro M&A do setor de apostas esportivas no Brasil e às vésperas da regulamentação do serviço.

Desde dezembro passado, quando um projeto de lei liberou os jogos de azar, a regulamentação tramita no Ministério da Economia. A previsão é que as normas sejam publicadas já no mês que vem, abrindo o mercado para apostas em todos os esportes mediante a concessão de licenças públicas. (Hoje, apenas a aposta em corridas de cavalo — o nicho em que a Suaposta opera — e as loterias são permitidas).

“A regulamentação vai levar nosso negócio para um novo patamar,” André Gelfi, o CEO da Suaposta, disse ao Brazil Journal. “Com o know how, tecnologia e capacidade financeira da Betsson podemos nos tornar um dos players dominantes desse mercado.”

No mundo, as apostas esportivas movimentam mais de US$ 20 bilhões por ano e crescem a taxas de dois dígitos. Por aqui, a KPMG estima que elas possam movimentar até R$ 6 bilhões/ano num prazo de 4 a 5 anos, tornando o Brasil um dos maiores mercados globais.

A Suaposta nasceu em 2016 dentro da Codere, uma multinacional do setor de apostas esportivas que vale 350 milhões de euros na Bolsa da Espanha. Na época, Gelfi era o head da empresa no Brasil e liderou o projeto que deu vida à plataforma. Em setembro do ano passado, ele se uniu a Fernando Corrêa Filho, o então CFO da Codere Brasil, e os dois adquiriram a Suaposta num management buyout. (O pai de Corrêa, Fernando Ernesto, é um dos sócios fundadores da RBS.)

Desde então, a dupla vem negociando com players globais um investimento na empresa. Gelfi diz que tinha mais de uma oferta na mesa — e que o cheque da Betsson não era o maior. Mas ele decidiu pela sueca pelo “fit cultural e porque ela estava disposta a priorizar o Brasil, com uma visão de longo prazo.”

Todos os recursos da capitalização vão para o caixa da empresa e serão usados, majoritariamente, para investimentos em marketing. A Suaposta vai investir também na melhoria da plataforma, que precisa ser adaptada para a inclusão de novos esportes, e na contratação de novos funcionários.

Gelfi e Corrêa continuam no comando da empresa.

A grande aposta dos dois — obviamente — é o futebol, que tende a representar mais de 90% do mercado de apostas esportivas no Brasil. Mas a ideia é incluir também esportes como tênis, basquete, vôlei e UFC.

Hoje, só com as corridas de cavalo a Suaposta movimenta perto de R$ 25 milhões por ano, faturando R$ 7 milhões. Com os novos esportes a expectativa é de um crescimento exponencial. “Se tivermos 10% de share estamos falando de uma receita de mais de R$ 500 milhões,” diz o CEO.

Outras plataformas já vêm explorando o mercado brasileiro de apostas esportivas, mesmo antes da regulamentação. (Durante a Copa do Mundo com certeza você viu alguma propaganda delas na televisão).

Mas, segundo Gelfi, elas não têm licença para operar no Brasil e atuam ‘arbitrando a legislação brasileira’. “Elas captam clientes aqui mas operam com licenças e plataformas registradas em outros países.”

A Betsson, que nasceu em 1963 como fornecedora de ‘slot machines’ para restaurantes na Suécia, hoje opera em oito países da Europa com sites como Betsafe.com e Casinoeuro.com. A empresa vale cerca de US$ 500 milhões na Bolsa de Estocolmo.
Fonte: Brazil Journal 

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