Jogo do Bicho completa 128 anos de operação


04/07/2020 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Novidades



Nesta sexta-feira, dia 3 de julho, o jogo do bicho completa 128 anos de operação. O primeiro sorteio ocorreu num domingo, em 3 de julho de 1892 e o bicho sorteado foi o avestruz.

O ‘brasileiríssimo’ jogo do bicho, se alastrou pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro e atingiu toda a população. Criado originalmente na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro como ‘Jogo das Flores’, a modalidade ‘Loteria de Números’ foi apresentada ao Barão de Drummond pelo mexicano Manuel Ismael Zevada, com o objetivo de obter recursos financeiros para o Jardim Zoológico.

Sobre a preferência pelos bichos, o Barão disse na época ao Diário do Commércio: “Flores são lindas. Mas animais são subúrbios do homem, nossos parentes”.

Foi um sucesso, virou mania naquela época. Tinha gente que ia ao zoológico só por causa do prêmio. Os bondes para Vila Isabel, principalmente no domingo, ficavam superlotados.

Se a origem do jogo do bicho remonta os tempos do Barão de Drummond, a aproximação do bicho com o carnaval vem um pouco depois, na década de 1930 com Natalino José do Nascimento. Natal da Portela, o homem de um braço só da escola de Paulo, Rufino e Caetano, teve infância pobre, mas chegou a ser funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil.

Natal da Portela, o homem de um braço só da escola de Paulo, Rufino e Caetano, teve infância pobre, mas chegou a ser funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil. Devido a um acidente nos trilhos, onde perdeu o braço direito, foi demitido por invalidez depois de seis anos de serviços prestados. Isso o levou a viver de alguns biscates até começar como apontador do bicho. Sua escalada foi rápida e notória até chegar a banqueiro do jogo do bicho em Madureira.

Essa postura de herói contraventor não só elevou Natal a um status de benfeitor da região de Madureira como mostrou a outros bicheiros que poderiam ganhar a população pelo mesmo filão. A partir de Natal, vários outros bicheiros seguiram os caminhos deixados por Natal e começaram a tradição de escolas profissionalizadas.

Raízes profundas

Em 3 de outubro de 1941, o Decreto-Lei nº 3.688, tornou o jogo “contravenção penal” e as apostas cresceram mais ainda. Este ano completam 79 anos de proibição e o fato não alterou o cenário de ilegalidade do jogo no Brasil, pelo contrário.

Estima-se que diariamente 20 milhões de brasileiros fazem uma fezinha no jogo do bicho e, a sua legalização, seria lucrativa para o Estado e para a sociedade, já que livraria milhões de brasileiros do constrangimento de serem considerados contraventores, e que passariam a exercer atividade lícita e socialmente produtiva.

Apesar de ilegal e clandestino, o jogo do bicho continua vivo como uma das mais populares e onipresentes tradições culturais brasileiras.

Em 1911, o jurista e acadêmico José Macedo Soares, observou que o jogo se radicara a tal ponto nos hábitos sociais do brasileiro que era impossível erradicá-lo pela lei e repressão policial. O conceito da manifestação do jurista de 109 anos atrás nunca esteve tão atual.

“O jogo proliferou e criou raízes tão profundas, que não será certamente a golpes de lei ou de arbitrariedades policiais que o poder público poderá extirpá-lo dos nossos costumes”, comentou.

Seguindo a tendência de outros países, a legalização deveria garantir a manutenção desta modalidade com os atuais operadores. O jogo do bicho tem peculiaridades próprias que devem ser levadas em conta na sua legalização: jogo bancado com riscos e com muita capilaridade. Além disso, o Estado teria dificuldades em fazer concorrência com uma modalidade que está em operação há muitos anos no Brasil.

Atualmente, cerca de 90% das apostas do jogo do bicho são realizadas através de POS (do inglês: Point of Sale ou Point of Service) dispositivos semelhantes as máquinas de pagamento de cartões de crédito ou em tablets.

Fonte: BNL Data

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